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Orientação Noturna - Campo Boina 1993
História – “O Dia em que Voei no Lago do Amor”
Tava lá eu, SD André, no glorioso campo boina, achando que ia ser mais uma daquelas noites de exercício padrão. A missão: pista de orientação noturna. Fácil, né? Uma bússola, uns pontos marcados no mato e pronto. Cada ponto era sinalizado por uma lata com um pedaço da mensagem.
No primeiro ponto que achei, tava lá escrito: “A Infantaria”. E a minha cabeça de soldado, sempre adiantada, já completou na hora: “A Infantaria é das Armas a Rainha”. Ah, não tive dúvidas! Pra que perder tempo caçando os outros pontos? Já sabia a resposta final.
Marcha batida, fui direto pro ponto de encontro, mais feliz que pinto no lixo. Cheguei, firmei a postura, bati continência e declarei:
— A Infantaria é das Armas a Rainha!
Os dois sargentos se olharam daquele jeito que mistura pena, raiva e vontade de rir. O sargento Pacheco, com aquele sorriso de quem tá prestes a estragar meu dia, disse:
— Os safos sifus… Vai lá no lago e molha só a sola do coturno.
E lá fui eu, obediente, até a beira do famoso “Lago do Amor”. Me sentei com delicadeza, como quem vai molhar o pé na beira da praia. Encostei a sola na água, já me achando esperto. Foi quando ouvi o grito que mudou meu destino:
— Não, seu monstro! É de cabeça pra baixo!
Quando virei pra tentar entender, já era tarde. Senti uma mão no colarinho e no meu cinto NA, um puxão que parecia guincho de caminhão, e… VUUUP! Eu voei mais alto que pombo assustado em praça de cidade pequena.
Em seguida veio o PLOFT!, e o Lago do Amor me abraçou dos pés à cabeça. Sai de lá pingando, com a roupa parecendo uma esponja e a dignidade afundada junto com as minhas ilusões.
Moral da história? No Exército, às vezes você erra o caminho… e às vezes você erra e ainda aprende a nadar fardado.
Andre Rosa /1993
Andre Rosa - Comunicação Social




