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Campo Boina 93 - Pista de Mensageiro

Chegou o grande dia do famoso (e temido) Campo Boina. O amanhecer começou com uma marcha “mixuruca” de apenas 8 km — detalhe: servíamos numa unidade de Infantaria Motorizada, mas naquele tempo os únicos motores disponíveis éramos nós mesmos, recrutas fumegando morro acima. Mochila pesando como se tivesse um tijolo dentro (e provavelmente tinha), suor antes das 7h e aquele pensamento coletivo: “quem

foi o voluntário mesmo?”


Ao chegarmos ao glorioso CILS – Campo de Instrução Leão da Serra, tivemos um cerimonial de abertura bem caprichado. Os “bizus” que levamos para o campo foram guardados com extremo carinho… carinho do Exército, claro: tudo confiscado. Em seguida, um aquecimento “leve”: cada simples frente para a direita vinha acompanhado de um instrutor estrategicamente posicionado no canga, flexão, polichinelo, abdominal e a inesquecível punhetinha de elefante, exercício que até hoje ninguém sabe exatamente pra que músculo servia — mas doía em todos.


A tarde até que terminou light, o que na linguagem militar significa “sobrevivemos”. Já à noite, veio uma das instruções mais marcantes: a Pista de Mensageiro. A missão parecia simples — receber uma mensagem no início da pista e entregá-la no final, sem esquecer e sem deixar cair em mãos inimigas. Na prática, era correr, rastejar, suar, desconfiar da própria memória e rezar para não trocar o recado no final. Educativa? Muito. Afinal, aprendemos que sob pressão, fome, cansaço e escuridão… a cabeça funciona, mas do jeito dela.


Hoje, olhando pra trás, fica a certeza: doeu, cansou, xingamos em silêncio… mas valeu. Porque algumas lembranças só fazem sentido depois de muitos anos — e o Campo Boina é uma delas.


 
 
 

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